No Caminho de Swann
No Caminho de Swann
de Marcel Proust
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Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (10 de julho de 1871 Paris, França), filho de Jeanne Weil, uma mulher francesa de origem judaica e Adrien Proust, um renomado professor de medicina francês, sempre teve uma condição abastada, podendo frequentar salões da alta sociedade francesa de sua época. Seu trabalho mais famoso - e a criação para a qual ele dedicou uma grande parte de sua vida, inclusive passou os três últimos anos dela confinado no quarto, dormindo de dia e acordado à noite, para terminar de escrevê-la, o que não ocorreu, Marcel, no seu penúltimo dia de vida, ainda revisava e reescrevia partes de “A Prisioneira”, antepenúltimo livro de toda a obra - é “Em Busca do Tempo Perdido”, composto por sete livros publicados entre 1913 e 1927 que foram escritos entre 1908 e 1922 ano da morte do autor. O primeiro livro é intitulado de “No Caminho de Swann” que conta a história de um menino - que em momentos é narrador e será protagonista de toda a obra - que gostaria de se tornar escritor, porém não se empenha muito - ou o suficiente - para se tornar um, ele abandona a escrita - por um momento - em conta de novos interesses como sua paixão por uma menina chamada Gilberte que acaba por tomar toda a sua atenção. O livro também conta, detalhadamente, a vida de Charles Swann um homem culto, burguês que da mesma forma se desvia de seu caminho inicial por conta de sua paixão por uma mulher: Odette de Crècy. Segundo Fernando Py “(...) o enredo tem uma importância secundária na obra máxima de Proust. (...) Pois na verdade o que interessa não são os encadeamentos narrativos e episódicos, e sim a análise psicológica, as conexões estabelecidas e, acima de tudo, aquela transcendental peleja do espírito criador, que luta para se afirmar e deixar a marca de sua genialidade, contra o tempo que tudo arrasta e destrói.” Concordo plenamente com Py, descrições de momentos como o fatídico - e tocante - instante de lembrança inconsciente despertada pela medeleine com o chá, apresentações detalhadas sobre como a literatura transforma a vida do leitor, sobre pinturas e músicas que criam novas possibilidades de existência para o apreciador atento, são, para mim, ápices da obra de Proust. Esses momentos descritos com tanto cuidado e perfeição deixam o leitor atônito, mudando seu olhar sobre absolutamente todo seu entorno, tornando detalhes antes imperceptíveis em poesia, em beleza, esses instantes não são necessários para manter a linearidade/compreensão do enredo, porém, sem eles, a obra de Proust não nos ensinaria, não nos mostraria o quanto perdemos de êxtases, encantamentos, arrebatamentos possíveis no momento em que paramos de prestar atenção, ou seja, quando perdemos o tempo presente.