Fedra


FEDRA
*

ENREDO
     A trama de Fedra se desenvolve ao redor do amor impossível de Fedra por Hipólito. Com a demora de Teseu para retornar para casa, Fedra se sente compelida a agir sobre esse amor.
     No primeiro ato, Hipólito, que é o extremamente casto e rechaça o amor pela sua crença, quer sair de sua casa para desbravar o mar para assim fugir de sua paixão por Arícia, uma Palantida a qual Teseu proibiu casar para parar a linhagem. Confidencia sua paixão a Terâmeno, seu tutor. No mesmo tempo, Fedra confidencia sua paixão por Hipólito a Enone, sua confidente. Panopéa informa Fedra sobre a morte de Teseu, o que faz ela agira sobre seu terrível amor.
     Ato 2, começa com Terâmeno informando Arícia que iria sair para desbravar assegurar o trono de Atenas, deixado vago pela morte de seu pai, assim também libertando-a de seu aprisionamento; porém, acaba também declamando seu amor por ela. Logo após, Fedra convoca Hipólito para uma conversa, na qual discorre sobre seus sentimentos para Hipólito de uma linda maneira, entretanto Hipólito se assusta e fica horrorizado com tal confissão. Ouvem-se rumores de que Teseu, na realidade, vive.
     O ponto de reviravolta do enredo se dá no terceiro capítulo. O retorno de Teseu faz com que Fedra se sinta encurralada, visto que contou seus amores por Hipólito e agora teme as consequências desse ato. Enone e Fedra se mancomunam para colocar a culpa do acontecimento ao inverso, como se Hipólito a amasse e não o contrário. Teseu descobre uma traição e quer descobrir o culpado por tal.
     No quarto ato, Enone põe em prática seu plano, conta para Teseu que Hipólito ama Fedra e tentou obtê-la na notícia da morte do pai. Com isso, Teseu enfurecido exila o filho, apesar de todas as tentativas dele de demonstrar sua inocência. Fedra descobre sobre o amor de Hipólito por Arícia, e a raiva de não poder tê-lo toma conta dela, e então instiga Teseu a um ódio ainda maior. Louco pelo ódio, Teseu ora a Netuno pela morte do filho. Após todas as malícias armadas por Enone, ela acaba se matando envenenada, ao passo que envenena Fedra junto de si.
     Como toda grande tragédia, o capítulo final , o quinto, traz o arrependimento e dor. Hipólito e Arícia tramam uma fuga, porém para permitir que Hipólito fuja, Arícia fica para trás. Ao conversar com Arícia e Terâmeno, Teseu percebe o terrível erro que cometeu ao culpar o filho pelas calúnias de Fedra e Enone. Panopéa traz notícias da morte de Fedra e Enone, enquanto Terâmeno da morte de Hipólito. Morte ridícula, inclusive. Hipólito que sonhava em ter feitos grandiosos como o pai, consegue matar um monstro marinho enviado por Netuno para pegá-lo, além de salvar seus companheiros. Entretanto, na fuga de cavalo, o animal se assusta com o fogo lançado pelo monstro e a carroça de Hipólito se depara com um enorme rochedo, e acaba numa morte completamente sem sentido o "herói" da tragédia. Teseu no fim, em seu monólogo, se amaldiçoa pelos atos contra o filho. Fedra, antes de morrer envenenada pelo veneno trazido de Medéa por Enone, enfim conta suas calúnias, admitindo que ela havia se lançado incestuosa sobre o filho de seu marido.


CURIOSIDADE

É importante notar a dualidade entre Hipólito e Fedra em relação à "palavra". Fedra, ao se silenciar, se inocenta; ao passo que quando é dotada da palavra, acaba por se incriminar. Com Hipólito ocorre o contrário, Hipólito ao falar se inocenta, porém quando se omite, se nega a falar para o pai o verdadeiro ocorrido, acaba por se incriminar


CITAÇÃO

"Ah, teria sido tu o destruidor do monstro de Creta, dentro do labirinto em que vivia. Para te evitar os descaminhos minha irmã teria dado a ti o fio fatal. Ah, não; eu teria antecipado nesse intento; o amor o teria sugerido a mim primeiro, e seria eu, príncipe, seria eu quem te ajudaria nos meandros sem fim do labirinto; Que riscos eu não aceitaria por esse rosto mágico?" Fedra, ao contar seu amor por Hipólito

Postagens mais visitadas