Se um viajante numa noite de inverno,


Se um viajante numa noite de inverno, 
de Italo Calvino
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  Italo Calvino nasceu em Santiago de las Vegas, Cuba, em 1923. De pais italianos, ainda menino mudou-se para San Remo, no noroeste da Itália, passando lá toda a sua infância e adolescência. Graduou-se em Letras em Turim e militou, até 1956, no Partido Comunista Italiano, participando da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, foi enquanto vivia em Paris (1967 até 1980) que Calvino publicou a maior quantidade de obras que o consagraram como um dos mais importantes escritores italianos do século XX: ​O Castelo dos Destinos Cruzados (1969); ​As Cidades Invisíveis ​(1972); ​Se um Viajante numa Noite de Inverno​ (1979); entre outras. 
  O último livro publicado enquanto Italo vivia em Paris, ​Se um Viajante numa Noite de Inverno, difere-se abruptamente da maioria dos romances - ou de todos - escritos até então. Com enredo cheio de reviravoltas, intensamente fragmentado e com narrador que é ora em primeira, ora em segunda pessoa, o autor consegue, apesar da complexidade estrutural do romance, narrá-lo com maestria ao mesmo tempo em que inova em uma técnica estilística cheia de metalinguagem. 
  O romance pode ser dividido, de forma extremamente resumida, em dois: primeiramente na narração em segunda pessoa em que se começa o livro, na qual Calvino põe seus leitores como protagonistas de sua história. Esse personagem, denominado apenas como Leitor, ao comprar o novo livro de Italo Calvino, intitulado ​Se um viajante numa noite de inverno, ​vê-se encantado por uma história que, para sua infelicidade, acaba na página 32; decide então voltar à livraria para trocar seu exemplar e lá acaba encontrando uma Leitora (esta nomeada Ludmilla) a qual também comprou um exemplar defeituoso do livro de Italo Calvino. O Leitor e a Leitora descobrem, então, terem na verdade lido o início de um livro chamado ​Fora do Povoado de Malbork, de um escritor cimério. Entretanto, assim como o primeiro livro, este também se encontra inacabado. Então, juntos, Leitor e Ludmilla passam por diversas situações kafkianas (roubo de livros, suicídio do autor, prisão…) em busca dos livros completos que tanto almejam ler. A segunda parte do romance é justamente essas histórias inacabadas que os leitores leem ao passo que adentram à aventura de ir em busca dos romances completos. Se por um lado tais histórias fragmentadas possam parecer, em um primeiro momento, “brochantes” por serem interrompidas no momento que mais seduzem o leitor, por outro lado são nelas onde melhor se pode perceber a inspiração de Calvino no escritor argentino Jorge Luís Borges, mesclando fantasia e realidade em histórias que, ao decorrer do livro, cada vez mais poderiam ser consideradas contos dos mais variados gêneros, mas sempre com um quê de nebuloso, misterioso, como o utilizado nos contos de Edgar Alan Poe, o pai mais ilustre desse modo de narrar; no apêndice do livro, que pode ser considerado uma excelente aula de literatura, Italo Calvino escreve: ​
"Melhor dizer que aqui não se trata do inacabado, mas sim do acabado interrompido, do acabado cujo final está oculto ou ilegível, tanto no sentido literal quanto metafórico. Parece-me que em algum momento digo assim: vivemos em um mundo de histórias que começam e não acabam." 
  Italo Calvino, por sua vasta obra, recebeu diversos prêmios em muitas universidades renomadas ao redor do mundo; enquanto preparava uma coleção de textos literários para ser apresentada na Universidade de Harvard, em 1985, passou mal e teve de ser internado em Siena. Vítima de hemorragia cerebral faleceu no dia 19 de setembro de 1985, deixando um importante legado para a literatura mundial.

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