Sensini



Sensini
de Roberto Bolaño
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   O conto escrito por Roberto Bolaño (1953 - 2003) escritor chileno, que se aventurou pelo mundo durante sua vida, versa sobre um determinado tempo da vida do autor de dificuldades financeiras e uma certa solidão, pelo fato de possuir poucos amigos e sua irmã e cunhado terem se mudado para o México. Nesse momento de pouco dinheiro o autor vive dos ganhos de seu trabalho de verão, mas essa economia está acabando e ele precisa de dinheiro para se manter na Espanha. A alternativa que surge são os concursos literários, onde no primeiro que participou ficou em terceiro lugar o que lhe garantiu um prêmio de 10 mil pesetas pago pela prefeitura de Alcoy.
   Certo tempo depois Bolaño recebe o livro com as publicações dos ganhadores do concurso, analisou seus concorrentes e achou injusta sua colocação. Todavia havia um conto que lhe chamou atenção de autoria de Sensini, autor argentino, o qual havia lido um romance e alguns contos em revistas latino-americanas.
   O fato de encontrar esse autor, que fazia parte de uma geração de autores admirados por Bolaño, o levou a escrever para Sensini com intuito de cumprimentá-lo e dizer o quanto o admirava. A partir dessa carta inicia uma relação de amizade com pautas que variam de política a concursos literários que estavam por vir e seriam uma boa oportunidade de ganharem algum dinheiro. Sensini em uma das cartas diz ter lido o conto de Bolaño e o incentiva a continuar participando dos concursos. O autor explica não ser capaz de produzir para tantos concursos conforme era orientado. Foi então que Bolaño teve algumas instruções de como usar o mesmo conto alterando pseudônimos e títulos, algo que Sensini dizia fazer com frequência.
   Bolaño não se empenhou tanto nos concursos como o amigo o aconselhou, participando apenas de alguns, por outro lado seu conselheiro continuou nos concursos ganhando algum dinheiro e até passagens de trem. Com o passar do tempo ficaram mais íntimos, Sensini disse que vivia com a mulher do segundo casamento e a filha, da qual se orgulhava muito e com uma certa tristeza falava do filho do primeiro casamento perdido pelo mundo. Bolaño em uma das cartas pediu um retrato da família de seu amigo por correspondência, percebendo somente depois de enviar a carta que ele realmente queria conhecer Miranda, filha do amigo. Breve recebeu a carta com a foto da família, Miranda desperta seu interesse; magra, alta e de seios fartos. A foto ficou por dias em sua mesa. Sensini pediu que Bolaño enviasse uma foto sua, após algum tempo por não ter gostado da sua foto, enviou uma qualquer com a catedral de Girona ao fundo, Sensini disse que assim que melhorassem financeiramente viajariam para conhecer.
   Prontamente Bolaño disponibilizou sua casa e lembrou que como havia ganho as passagens, precisaria comprar apenas duas para a esposa e para Miranda. O encontro sonhado pelo autor não acontece, Sensini retorna com a esposa para Argentina pois com o final da ditadura acreditava não ter mais motivo de continuar exilado. Miranda continua em Madri, Bolaño tenta se corresponder com ela, mas suas cartas retornam sem ter encontrado morador no endereço.
   Anos depois no meio da noite toca a campainha de Bolaños, para sua surpresa é Miranda Sensini acompanhada de um rapaz, que a acompanhava em sua viagem pela europa. Bolaño e Miranda conversaram sobre Sensini, as cartas, os concursos, como a mãe os chamava e sobre a morte do pai e do irmão. O conto acaba com os dois na sacada do apartamento tomando conhaque como se juntos tivessem ficado em paz. 



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